terça-feira, 3 de novembro de 2026

O Galo é tetra: a CBF só precisa homologar o que o campo já julgou

 

O Galo é tetra: a CBF só precisa homologar o que o campo já julgou

Se o Torneio dos Campeões de 1937 virou Brasileirão, a Copa dos Campeões de 1978 merece o mesmo exame. Isonomia não escolhe camisa.

Por Gustavo Lopes Pires de Souza



22 de agosto de 1978. Atlético e São Paulo empatam sem gols na final da Copa dos Campeões do Brasil. Nos pênaltis, 4 a 2 para o Galo.

Era a decisão de um torneio criado para reunir os campeões brasileiros desde 1971. O Atlético, primeiro campeão do Brasileirão em formato de liga, voltava a ser o campeão dos campeões.

Quase meio século depois, essa conquista ainda espera seu lugar na contagem oficial. Defendo que ela seja reconhecida. Com ela, o Galo é tetracampeão brasileiro.

O precedente que o próprio Atlético construiu

Em 25 de agosto de 2023, a CBF reconheceu o Torneio dos Campeões de 1937 como o primeiro Campeonato Brasileiro. O Atlético passou a ser oficialmente tricampeão: 1937, 1971 e 2021.

Vale lembrar o formato daquele torneio. Ele reuniu campeões estaduais, entre eles Atlético, Fluminense, Portuguesa e Rio Branco. Era um torneio entre campeões.

Se um torneio entre campeões estaduais vale como Brasileirão, um torneio entre campeões brasileiros tem, no mínimo, o mesmo direito de ser examinado. O argumento é de lógica antes de ser de paixão.

Isonomia não escolhe camisa

No Direito, casos iguais merecem tratamento igual. A CBF já aplicou essa régua duas vezes.

Em 2010, incorporou a Taça Brasil e o Robertão à lista de campeões. Em 2023, reconheceu 1937. Nos dois casos, aceitou que nome, formato e abrangência diferentes não impedem o reconhecimento.

O art. 217 da Constituição garante às entidades desportivas autonomia de organização e funcionamento. Cabe à CBF dizer quem é campeão brasileiro. Mas autonomia não é arbítrio.

O critério que valeu para 1937 precisa valer para 1978.

O campeão dos campeões

A Copa dos Campeões de 1978 reuniu Atlético, Vasco e São Paulo. O Galo eliminou o Vasco na semifinal, com vitória por 2 a 1 e empate por 1 a 1.

Na final, encontrou o São Paulo, campeão brasileiro de 1977. Meses antes, o tricolor havia vencido o próprio Atlético na decisão do Brasileirão, nos pênaltis, em Belo Horizonte.

Em 1978, a resposta veio do mesmo jeito: pênaltis. O Galo superou o campeão brasileiro em exercício e levantou a taça.

O torneio deveria ter mais participantes. Palmeiras e Guarani desistiram, e o Internacional foi excluído.

Isso não apaga o título: quem entrou em campo disputou, e quem venceu, venceu. Mas é a principal objeção, e precisa ser enfrentada.

Ano

Competição

Situação

1937

Torneio dos Campeões

Reconhecido pela CBF em 2023

1971

Campeonato Nacional de Clubes

Oficial

1978

Copa dos Campeões do Brasil

Aguarda reconhecimento

2021

Campeonato Brasileiro Série A

Oficial

 

As objeções e as respostas

1.      "Em 1978 já havia Brasileirão." A unificação já admite dois títulos brasileiros do Palmeiras em 1967, pela Taça Brasil e pelo Robertão. Um título por temporada não é requisito absoluto da contagem.

2.      "Faltaram campeões." O torneio de 1937 também não reuniu os campeões de todos os estados. A régua não pode exigir de 1978 o que não exigiu de 1937.

3.      "Era um torneio de campeões, não um campeonato nacional." Exatamente como em 1937. E esse formato já foi aceito como Brasileirão.

Nada disso torna o reconhecimento automático. Torna obrigatória uma análise séria, com a mesma régua usada antes.

O caminho: dossiê, como em 1937

O título de 1937 não caiu do céu. O Atlético entregou à CBF um dossiê documental e sustentou o pedido até a decisão.

O caminho para 1978 é o mesmo. Regulamento, súmulas, imprensa da época e atos da CBD, reunidos em um pedido formal que exija decisão fundamentada.

O momento é oportuno. A CBF analisa o pedido de Sport, Ceará e Fortaleza sobre o Torneio Norte-Nordeste, protocolado em outubro de 2025. A entidade terá de dizer qual régua usa.

Que seja a mesma para todos. Inclusive para o Galo.

Falta a homologação

A torcida atleticana conhece de cor o título de campeão dos campeões. Ele nasceu em 1937 e se repetiu em 1978.

O campo já julgou. Os pênaltis transitaram em julgado há 48 anos. Falta à CBF apenas homologar a sentença.

Quando isso acontecer, a conta será simples: 1937, 1971, 1978 e 2021. Tetracampeão brasileiro.

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